O ano de 2026 começou com novidade importante no bolso dos brasileiros: o salário mínimo nacional passou para R$ 1.621. O reajuste, que começa a valer em 1º de janeiro, traz um aumento de R$ 103 em relação ao valor de 2025 (R$ 1.518), representando um crescimento de 6,79%. O valor será efetivamente pago a partir de fevereiro, referente aos vencimentos de janeiro.
Esse aumento não se limita apenas ao salário dos trabalhadores formais: ele também reajusta aposentadorias, pensões, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e contribuição mensal do MEI, que agora passa a ser de R$ 81,05 (5% do mínimo).
Como o novo valor foi calculado?
O salário mínimo é calculado com base em dois fatores:
- Inflação acumulada pelo INPC (nov/2024 a nov/2025): 4,18%.
- Ganho real limitado a 2,5%, conforme regra do novo arcabouço fiscal.
Somando os dois indicadores, o valor chegou a R$ 1.621, abaixo da previsão original do Orçamento (R$ 1.631) e da estimativa anterior do governo (R$ 1.627).
Esse é o quarto ano consecutivo com aumento real, ou seja, acima da inflação, retomando uma política que havia sido interrompida nos governos Temer e Bolsonaro, quando os reajustes apenas repunham a inflação.
Valor por dia e por hora do novo mínimo
- Valor diário: R$ 54,04
- Valor por hora: R$ 7,37
Quantas pessoas são impactadas pelo novo mínimo?
Segundo o Dieese, 59,9 milhões de brasileiros têm sua renda diretamente ou indiretamente vinculada ao salário mínimo. Isso inclui:
- Trabalhadores formais
- Aposentados e pensionistas do INSS
- Beneficiários do BPC e LOAS
- MEIs (contribuição mensal é 5% do mínimo)
Impacto nas contas do governo
A cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, a despesa obrigatória do governo cresce R$ 420 milhões. Com os R$ 103 de reajuste, o impacto estimado é de R$ 43,2 bilhões em 2026.
Esses recursos a mais vão para aposentadorias, pensões e outros benefícios sociais. No entanto, reduzem a margem para gastos discricionários (investimentos em educação, infraestrutura, cultura etc).
Por que o salário mínimo é importante para a economia?
Além de garantir uma renda básica para milhões de pessoas, o mínimo é um dos pilares de sustentação da economia interna. Com mais dinheiro circulando, especialmente entre populações de baixa renda, o consumo tende a subir, impulsionando o comércio e os serviços locais.
Por outro lado, aumenta os custos da folha de pagamento para pequenas empresas, prefeituras e o próprio governo federal.
Críticas e desafios
Apesar de garantir poder de compra, o aumento real tem sido criticado por economistas liberais, que apontam o risco de desequilíbrio fiscal e pressão sobre os juros. Por isso, o novo arcabouço fiscal criou o teto de 2,5% para o ganho real, tentando equilibrar responsabilidade fiscal com justiça social.
Evolução do salário mínimo desde 2005
| Ano | Valor (R$) |
|---|---|
| 2005 | 300,00 |
| 2010 | 510,00 |
| 2015 | 788,00 |
| 2020 | 1.100,00 |
| 2023 | 1.302,00 |
| 2025 | 1.518,00 |
| 2026 | 1.621,00 |
Para o Dieese, o salário mínimo ideal para sustentar uma família de 4 pessoas em novembro de 2025 seria de R$ 7.067,18.
Resumo do salário mínimo 2026
- Valor: R$ 1.621
- Reajuste: 6,79% (4,18% inflação + 2,5% ganho real)
- Valor diário: R$ 54,04
- Valor por hora: R$ 7,37
- Vigência: a partir de 1º de janeiro (pagamento em fevereiro)
- Impacto: 59,9 milhões de brasileiros

