O Dilema do Tênis: A Raquete Faz o Monge (ou o Tenista)
Seja bem-vindo ao esporte mais frustrante e elegante do mundo. O tênis é aquela atividade onde você gasta uma fortuna em roupas brancas impecáveis apenas para descobrir que seu braço tem a coordenação motora de um liquidificador quebrado.
Mas antes de culpar seu professor ou o vento, precisamos falar da sua ferramenta de trabalho. Comprar uma raquete de tênis não é como comprar pão; se você escolher errado, o único “spin” que vai ver é a sua conta bancária rodando para o ralo enquanto você desenvolve um “cotovelo de tenista” antes mesmo de aprender a sacar.
Para evitar que você compre uma Ferrari sem ter CNH, aqui estão as 7 dicas fundamentais.

1. Nível de Jogo: Não tente dar um passo maior que a perna (ou o braço)
O erro clássico do iniciante é comprar a raquete do Roger Federer ou do Rafael Nadal achando que o talento vem de brinde na caixa. Spoiler: não vem.
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Iniciantes: Você precisa de uma raquete de alumínio ou fusionada (grafite com outros materiais). Elas são mais leves, baratas e “perdoam” seus erros.
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Avançados: Se você já bate na bola com intenção e não apenas por autodefesa, vá para as de performance (carbono/grafite). Elas são feitas em molde único, vibram menos e oferecem o controle que você (acha que) tem.
2. O Tamanho da Cabeça: Quanto maior, menos você chora
No tênis, o tamanho importa. A cabeça da raquete é medida em polegadas quadradas.
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Cabeças Oversize (100 a 118 pol²): São o “porto seguro” dos iniciantes. Têm um sweetspot (ponto doce) maior. Ou seja, se você não acertar a bola bem no centro, ela ainda tem uma chance de passar da rede.
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Cabeças Midplus ou Mid (abaixo de 98 pol²): Para os puristas. Menos área de contato significa mais precisão, mas se você errar o centro por um milímetro, a bola vai parar na quadra de beach tennis ao lado.
3. O Peso: Estabilidade vs. Manuseabilidade
Aqui a física entra no chat.
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Raquetes Leves (até 285g): Excelentes para quem está começando ou tem o braço mais frágil. São fáceis de movimentar, ideais para o swing curto.
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Raquetes Pesadas (acima de 300g): Proporcionam mais estabilidade. Quando uma bola pesada vem contra você, a raquete não “voa” da sua mão. É a escolha dos profissionais, mas exige que você tenha musculatura para aguentar 2 horas de jogo sem pedir arrego.
4. O Equilíbrio (Balanço): Onde está o peso?
Duas raquetes podem ter o mesmo peso, mas sensações completamente diferentes.
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Peso na Cabeça (Head Heavy): Comum em raquetes leves para dar mais potência. Ela faz o trabalho de “alavanca” por você.
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Peso no Cabo (Head Light): Geralmente em raquetes pesadas. Dá mais controle e manuseabilidade para voleios rápidos na rede. É como um martelo: segure pelo cabo e ele parece pesado; segure perto da cabeça e ele parece leve.
5. Empunhadura (L2, L3, L4): O tamanho do cabo importa (e muito!)
Não adianta ter a melhor tecnologia se a raquete gira na sua mão como um sabonete molhado. No Brasil, o padrão é o L3 (4 3/8).
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O Teste do Dedo: Segure a raquete normalmente. Deve sobrar exatamente o espaço de um dedo indicador entre a ponta dos seus dedos e a palma da mão. Se sobrar muito espaço, é grande; se não couber o dedo, é pequena.
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Dica de Ouro: É mais fácil aumentar um cabo pequeno com um overgrip do que diminuir um cabo grande (que é quase impossível).
6. Padrão de Encordoamento: O X da questão
Olhe para as cordas. Conte os quadrados.
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16×19 (Aberto): Mais espaço entre as cordas. Isso cria o efeito “trampolim”, dando mais potência e facilidade para gerar spin (aquele efeito que faz a bola cair na linha e subir na cara do adversário).
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18×20 (Fechado): Mais cordas, menos espaço. Focado em durabilidade e controle cirúrgico. Se você bate chapado (reto), essa é a sua.
7. Rigidez do Quadro: Conforto vs. Potência
A raquete flexiona quando bate na bola.
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Rígidas (RA alto): Devolvem mais energia para a bola (potência). Mas cuidado: essa energia também volta para o seu braço.
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Flexíveis (RA baixo): Absorvem mais o impacto. São muito mais confortáveis para quem tem histórico de dores no cotovelo, mas exigem que você faça mais força para a bola andar.
Conclusão: Testar é Melhor que Imaginar
A raquete perfeita não é a mais cara, nem a que o Alcaraz usa; é aquela que não faz seu braço cair após três sets de puro sofrimento. Antes de gastar seu 13º salário, tente testar a raquete de um amigo ou peça uma raquete de teste na loja.
Lembre-se: o tênis é 10% equipamento, 20% técnica e 70% xingar a si mesmo por ter errado um voleio fácil. Mas com a raquete certa, pelo menos você terá um visual profissional enquanto erra.

