como escolher a melhor raquete de tênis

7 Dicas Matadoras Para Escolher a Melhor Raquete de Tênis (E parar de passar vergonha na quadra)

O Dilema do Tênis: A Raquete Faz o Monge (ou o Tenista)

Seja bem-vindo ao esporte mais frustrante e elegante do mundo. O tênis é aquela atividade onde você gasta uma fortuna em roupas brancas impecáveis apenas para descobrir que seu braço tem a coordenação motora de um liquidificador quebrado.

Mas antes de culpar seu professor ou o vento, precisamos falar da sua ferramenta de trabalho. Comprar uma raquete de tênis não é como comprar pão; se você escolher errado, o único “spin” que vai ver é a sua conta bancária rodando para o ralo enquanto você desenvolve um “cotovelo de tenista” antes mesmo de aprender a sacar.

Para evitar que você compre uma Ferrari sem ter CNH, aqui estão as 7 dicas fundamentais.

australian open carlos alcaraz


1. Nível de Jogo: Não tente dar um passo maior que a perna (ou o braço)

O erro clássico do iniciante é comprar a raquete do Roger Federer ou do Rafael Nadal achando que o talento vem de brinde na caixa. Spoiler: não vem.

  • Iniciantes: Você precisa de uma raquete de alumínio ou fusionada (grafite com outros materiais). Elas são mais leves, baratas e “perdoam” seus erros.

  • Avançados: Se você já bate na bola com intenção e não apenas por autodefesa, vá para as de performance (carbono/grafite). Elas são feitas em molde único, vibram menos e oferecem o controle que você (acha que) tem.

2. O Tamanho da Cabeça: Quanto maior, menos você chora

No tênis, o tamanho importa. A cabeça da raquete é medida em polegadas quadradas.

  • Cabeças Oversize (100 a 118 pol²): São o “porto seguro” dos iniciantes. Têm um sweetspot (ponto doce) maior. Ou seja, se você não acertar a bola bem no centro, ela ainda tem uma chance de passar da rede.

  • Cabeças Midplus ou Mid (abaixo de 98 pol²): Para os puristas. Menos área de contato significa mais precisão, mas se você errar o centro por um milímetro, a bola vai parar na quadra de beach tennis ao lado.

3. O Peso: Estabilidade vs. Manuseabilidade

Aqui a física entra no chat.

  • Raquetes Leves (até 285g): Excelentes para quem está começando ou tem o braço mais frágil. São fáceis de movimentar, ideais para o swing curto.

  • Raquetes Pesadas (acima de 300g): Proporcionam mais estabilidade. Quando uma bola pesada vem contra você, a raquete não “voa” da sua mão. É a escolha dos profissionais, mas exige que você tenha musculatura para aguentar 2 horas de jogo sem pedir arrego.

4. O Equilíbrio (Balanço): Onde está o peso?

Duas raquetes podem ter o mesmo peso, mas sensações completamente diferentes.

  • Peso na Cabeça (Head Heavy): Comum em raquetes leves para dar mais potência. Ela faz o trabalho de “alavanca” por você.

  • Peso no Cabo (Head Light): Geralmente em raquetes pesadas. Dá mais controle e manuseabilidade para voleios rápidos na rede. É como um martelo: segure pelo cabo e ele parece pesado; segure perto da cabeça e ele parece leve.

5. Empunhadura (L2, L3, L4): O tamanho do cabo importa (e muito!)

Não adianta ter a melhor tecnologia se a raquete gira na sua mão como um sabonete molhado. No Brasil, o padrão é o L3 (4 3/8).

  • O Teste do Dedo: Segure a raquete normalmente. Deve sobrar exatamente o espaço de um dedo indicador entre a ponta dos seus dedos e a palma da mão. Se sobrar muito espaço, é grande; se não couber o dedo, é pequena.

  • Dica de Ouro: É mais fácil aumentar um cabo pequeno com um overgrip do que diminuir um cabo grande (que é quase impossível).

6. Padrão de Encordoamento: O X da questão

Olhe para as cordas. Conte os quadrados.

  • 16×19 (Aberto): Mais espaço entre as cordas. Isso cria o efeito “trampolim”, dando mais potência e facilidade para gerar spin (aquele efeito que faz a bola cair na linha e subir na cara do adversário).

  • 18×20 (Fechado): Mais cordas, menos espaço. Focado em durabilidade e controle cirúrgico. Se você bate chapado (reto), essa é a sua.

7. Rigidez do Quadro: Conforto vs. Potência

A raquete flexiona quando bate na bola.

  • Rígidas (RA alto): Devolvem mais energia para a bola (potência). Mas cuidado: essa energia também volta para o seu braço.

  • Flexíveis (RA baixo): Absorvem mais o impacto. São muito mais confortáveis para quem tem histórico de dores no cotovelo, mas exigem que você faça mais força para a bola andar.


Conclusão: Testar é Melhor que Imaginar

A raquete perfeita não é a mais cara, nem a que o Alcaraz usa; é aquela que não faz seu braço cair após três sets de puro sofrimento. Antes de gastar seu 13º salário, tente testar a raquete de um amigo ou peça uma raquete de teste na loja.

Lembre-se: o tênis é 10% equipamento, 20% técnica e 70% xingar a si mesmo por ter errado um voleio fácil. Mas com a raquete certa, pelo menos você terá um visual profissional enquanto erra.