Quem é Jessicão? 7 pontos para conhecer a deputada eleita pelo Paraná

Ao vivo no WhatsApp

🔥 Tem promoção rolando agora — quer ficar por dentro de tudo?

Entra no grupo e receba só as melhores ofertas, sem spam.

📲 Entrar no grupo agora →

O nome é daqueles difíceis de esquecer.

Jessicão.

Não é apelido inventado por adversário político. É o nome pelo qual Jessica Ramos Moreno, do PL, construiu sua carreira eleitoral em Londrina e agora chega à Assembleia Legislativa do Paraná.

E chega com bastante voto.

Nas eleições de 2026, Jessicão recebeu 131.673 votos e tornou-se a mulher mais votada para deputada estadual no Paraná. No ranking geral, terminou em segundo lugar, atrás apenas de Paulo Melo, também do PL.

Aos 33 anos, ela deixa a Câmara Municipal de Londrina com uma trajetória marcada por pautas conservadoras, oposição ao PT, proximidade com a família Bolsonaro e algumas propostas que terminaram no Judiciário.

Entre elas estão a proibição da linguagem neutra e uma tentativa de impedir a participação da jogadora trans Tifanny Abreu em uma partida de vôlei feminino.

Mas quem é Jessicão e como uma vereadora que recebeu pouco mais de 2,5 mil votos em 2020 chegou aos 131 mil seis anos depois?

Aqui estão 7 pontos para entender a trajetória, as ideias e as principais polêmicas da nova deputada estadual do Paraná.

1. Jessicão é Jessica Ramos Moreno, vereadora de Londrina

Comecemos pelo básico.

Jessicão é o nome político de Jessica Ramos Moreno.

Ela nasceu em Londrina, no Norte do Paraná, tem 33 anos, é casada e mãe de dois filhos gêmeos.

Antes de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná, construiu sua carreira política na Câmara Municipal de Londrina.

Sua primeira eleição aconteceu em 2020.

Naquela ocasião, recebeu 2.523 votos e conseguiu uma cadeira como vereadora.

Quatro anos depois, aconteceu um salto considerável.

Na eleição municipal seguinte, Jessicão recebeu 15.057 votos, tornando-se a mulher mais votada de Londrina.

Ou seja, multiplicou sua votação municipal por quase seis.

E ela já havia tentado ampliar seu espaço político antes disso.

Em 2022, concorreu a deputada federal, recebeu 33.376 votos e ficou como suplente.

A sequência ajuda a explicar sua ascensão:

2020: 2.523 votos.

2022: 33.376 votos.

2024: 15.057 votos na eleição municipal.

2026: 131.673 votos para deputada estadual.

Independentemente da avaliação sobre suas posições, existe um dado político difícil de ignorar:

Jessicão conseguiu transformar uma carreira municipal relativamente recente em uma votação estadual expressiva.

2. Ela é uma política claramente identificada com a direita conservadora

Não é necessário fazer arqueologia eleitoral para descobrir onde Jessicão se posiciona politicamente.

Ela própria deixa isso bastante explícito.

Entre as pautas que declara apoiar estão segurança pública, defesa de crianças e adolescentes, educação, saúde, fortalecimento do agronegócio, combate à corrupção, valorização dos idosos e investimentos em infraestrutura.

Do outro lado, também apresenta claramente aquilo a que se opõe.

Jessicão afirma não compactuar com o PT e o comunismo, com o que chama de “ideologia de gênero nas escolas”, com o aborto, a impunidade, privilégios políticos e o chamado “ativismo judicial”.

Portanto, classificá-la simplesmente como “de direita” ainda diz pouco.

Seu perfil está mais especificamente associado ao conservadorismo de costumes e à direita bolsonarista.

E existe outro elemento que reforça essa identificação.

3. Jessicão possui apoio público da família Bolsonaro

Jessicão não apenas pertence ao PL.

Ela possui apoio explícito de figuras centrais do bolsonarismo.

Segundo o perfil publicado pelo g1 após as eleições, ela recebeu apoio público do ex-presidente Jair Bolsonaro e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Isso ajuda a entender sua identidade política e também sua capacidade de ultrapassar os limites eleitorais de Londrina.

O sobrenome Bolsonaro continua funcionando como um importante ativo eleitoral dentro do campo conservador.

E Jessicão se apresenta ao eleitor justamente dentro desse espaço.

Sua atuação municipal também acompanhou várias das pautas que mobilizaram a direita brasileira nos últimos anos.

Linguagem neutra.

Vacinação.

Questões de gênero.

Aborto.

Segurança pública.

Críticas ao Judiciário.

Em outras palavras, não estamos diante de uma política conservadora apenas pela legenda.

A identidade ideológica está presente nas propostas, nos discursos e nas alianças.

4. Uma de suas principais bandeiras foi proibir linguagem neutra

Um dos primeiros projetos associados à atuação de Jessicão foi justamente sobre linguagem neutra.

Como vereadora, ela apresentou uma proposta para impedir seu uso na grade curricular e em materiais didáticos de instituições de ensino.

O projeto acabou sancionado e transformado em lei municipal.

Só que a história não terminou aí.

A legislação posteriormente foi declarada inconstitucional pela Justiça, após manifestação do Ministério Público do Paraná.

O episódio é importante porque antecipa uma característica que apareceria novamente na trajetória da parlamentar:

Jessicão costuma atuar em temas culturais e comportamentais capazes de produzir forte mobilização entre eleitores conservadores.

Ao mesmo tempo, algumas dessas iniciativas acabam entrando em conflito com questões constitucionais e competências que ultrapassam a esfera municipal.

E não foi a única pauta relacionada a costumes.

5. Ela também conseguiu aprovar uma curiosa lei sobre alimentos em formato de órgãos genitais

Sim.

Chegamos inevitavelmente a este tópico.

Em 2022, Jessicão teve sancionado um projeto que proibia, em determinadas condições, a venda de alimentos em formato de órgãos genitais em Londrina.

A restrição mencionada pelo g1 alcançava vendas em instalações externas.

É provavelmente uma das leis municipais mais fáceis de transformar em manchete.

Mas ela também ilustra bem a prioridade dada pela vereadora a temas ligados a costumes.

Na mesma fase de sua carreira, Jessicão participou de debates relacionados às medidas adotadas durante a pandemia.

Ela foi uma das vereadoras que assinaram uma proposta para derrubar a obrigatoriedade de máscaras em ambientes abertos. O texto acabou retirado de pauta.

Por outro lado, conseguiu transformar em lei municipal uma proposta que proibia a exigência do cartão de vacinação.

Nem toda sua atuação, entretanto, ficou concentrada em guerras culturais.

Entre os projetos destacados de 2025 está uma medida garantindo matrícula de estudantes com Transtorno do Espectro Autista em escolas municipais próximas da residência ou do trabalho de seus responsáveis.

6. A tentativa de barrar uma atleta trans acabou chegando ao STF

Uma das maiores controvérsias recentes envolvendo Jessicão aconteceu em fevereiro de 2026.

A discussão envolvia a jogadora de vôlei Tifanny Abreu, atleta trans.

Jessicão apresentou um requerimento em regime de urgência na Câmara Municipal buscando impedir a participação de Tifanny em uma semifinal da Copa Brasil de Vôlei Feminino realizada em Londrina.

O caso ultrapassou rapidamente a política municipal.

A decisão acabou sendo derrubada pelo Supremo Tribunal Federal.

A controvérsia reúne vários elementos importantes para compreender sua atuação política.

Existe a pauta conservadora sobre identidade de gênero.

Existe uma discussão esportiva real sobre regras para participação de atletas trans.

E existe uma questão jurídica fundamental sobre até onde um Legislativo municipal pode interferir nesse tipo de situação.

Para seus apoiadores, episódios assim reforçam sua disposição para defender pautas conservadoras.

Para seus críticos, demonstram uma atuação excessivamente concentrada em guerras culturais e em medidas juridicamente questionáveis.

Essa divisão provavelmente continuará acompanhando Jessicão na Assembleia Legislativa.

7. A eleição de 2026 transformou Jessicão em um nome estadual da direita paranaense

É aqui que a história muda de escala.

Jessicão não foi simplesmente eleita deputada estadual.

Ela recebeu 131.673 votos.

Foi a segunda candidata mais votada de todo o Paraná.

Ficou atrás apenas de Paulo Melo, também do PL, que recebeu 192.409 votos.

E terminou à frente de nomes como Professor Lemos, Marcio Nunes, Gugu Bueno e Hussein Bakri.

Entre as mulheres, ninguém recebeu mais votos do que ela.

Esse desempenho importa porque a Assembleia Legislativa do Paraná eleita em 2026 ficou bastante fragmentada entre grandes blocos.

O PL conquistou 14 cadeiras, empatando com o PSD como maior força da nova composição. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, ficou com oito.

Jessicão chega, portanto, fortalecida por três fatores simultaneamente:

uma votação pessoal muito alta;

uma legenda com bancada numerosa;

e uma identidade política bastante definida.

Ela deixa de ser apenas uma personagem da política de Londrina.

A partir de agora, passa a integrar o grupo de nomes da direita conservadora que vale acompanhar no Paraná.

Afinal, por que Jessicão teve tantos votos?

Não existe uma única explicação.

Mas sua trajetória fornece algumas pistas.

Primeiro, existe uma identidade eleitoral extremamente clara.

Quem vota em Jessicão dificilmente precisa pesquisar durante três horas para descobrir quais são suas posições sobre aborto, gênero, segurança pública ou bolsonarismo.

Segundo, ela conseguiu transformar pautas culturais em visibilidade.

Mesmo projetos derrotados judicialmente produziram exposição pública.

Terceiro, existe a associação com a família Bolsonaro.

Quarto, há uma base eleitoral construída em Londrina que cresceu rapidamente desde 2020.

E finalmente existe o próprio desempenho do PL no Paraná.

O partido conquistou 14 das 54 cadeiras da Assembleia.

Jessicão conseguiu reunir todos esses elementos numa candidatura estadual altamente competitiva.

Resumo: quem é Jessicão?

Se você começou este artigo apenas sabendo que havia uma candidata chamada Jessicão, aqui está o resumo:

1. Seu nome é Jessica Ramos Moreno.
Tem 33 anos e construiu sua carreira política em Londrina.

2. Está no PL e pertence à direita conservadora.
Suas principais bandeiras incluem segurança, agro e pautas de costumes.

3. É ligada politicamente ao bolsonarismo.
Recebeu apoio público de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

4. Tentou proibir linguagem neutra.
A legislação municipal acabou declarada inconstitucional.

5. Participou de outras pautas conservadoras.
Entre elas estão vacinação, alimentos em formato de órgãos genitais e questões relacionadas a gênero.

6. Tentou impedir uma atleta trans de jogar em Londrina.
A controvérsia envolvendo Tifanny Abreu chegou ao STF.

7. Agora possui peso eleitoral estadual.
Com 131.673 votos, foi a mulher mais votada e a segunda pessoa mais votada para a Assembleia Legislativa do Paraná em 2026.

Conclusão

Jessicão representa um tipo de candidatura que ganhou força na política brasileira nos últimos anos.

Tem nome facilmente reconhecível.

Posicionamento ideológico explícito.

Forte presença em pautas de costumes.

Proximidade com o bolsonarismo.

E disposição para transformar disputas culturais em bandeiras políticas.

Se isso será suficiente para construir uma atuação estadual relevante é outra história.

A Assembleia Legislativa é diferente de uma Câmara Municipal. Os temas são maiores, a exposição aumenta e as articulações políticas ficam mais complexas.

Mas uma coisa já está clara.

Com 131.673 votos, Jessicão não chega à Alep como uma deputada desconhecida tentando encontrar espaço.

Ela chega como a mulher mais votada para o cargo no Paraná em 2026 e dona da segunda maior votação geral do estado.

Para quem pretende acompanhar a política paranaense nos próximos quatro anos, é um nome que provavelmente continuará aparecendo — seja pelas propostas, seja pelas polêmicas.